terça-feira, 21 de outubro de 2008

Sensacionalismo?? Claro...

[modo rabugento on]

Realmente, esse caso do sequestro foi horrível, a policia agiu mal e terminou trágicamente.
Certo...

Mas agora, eu me pergunto, porque continuar com a cobertura..a ponto de chegar nisso:

Paraense de 39 anos recebe coração de Eloá (matéria retirada do site Diário da Manhã)

A paraense Maria Augusta Silva dos Santos, de 39 anos, acompanhou a tragédia de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos. Com problema congênito no coração, Augusta não saía muito de casa, onde costumava ficar em repouso. Faltavam-lhe condições físicas para trabalhar ou estudar. A TV e a internet, nos últimos dois anos, fase crítica da doença, faziam as ligações com os acontecimentos. Grudada na tela, ela assistiu às 100 horas do seqüestro de Eloá, alvejada na sexta-feira por dois tiros, um deles na cabeça. Na noite de sábado, Augusta ficou abalada ao saber da morte, mas seu coração - que andava meio fraco - bateu forte, cheio de esperança, no domingo, com outra informação: a família doaria os órgãos.

Augusta estava na fila do transplante cardíaco havia 18 meses. A média de sobrevivência é de seis meses. Ontem, um dia antes de completar 39 anos, arriscou: "Acho que vou ganhar um coração de presente de aniversário." Acertou. "Foi muita sorte", disse José Pedro da Silva, cardiologista que chefiou a equipe que transplantou o coração de Eloá no Hospital Beneficência Portuguesa, na zona sul de São Paulo, na madrugada de hoje. Silva é famoso por ter realizado o primeiro transplante duplo de coração e pulmão com sucesso da América Latina, em 1988.

"O mais curioso é que Augusta lembra muito Eloá", disse Silva. Augusta parece bem mais jovem. Ninguém diria que tem mais do que vinte e poucos anos. O cabelo, preto e comprido, a faz parecer com Eloá. Por sorte, as semelhanças foram maiores. O peso e o tipo de sangue, quesitos básicos para determinar a compatibilidade, também batiam. Augusta pesa 59 quilos, apenas dois a mais que Eloá. E o tipo de sangue, O+, é o mesmo.

"Às 9 horas da noite, tocou o telefone. Era o médico perguntando por Augusta, mas ela estava no banho", contou o namorado Stenio Garcia - ele se orgulha em ter o nome do ator -, de 25 anos. Quando deu o recado, Augusta ligou para a sobrinha que mora em São Paulo, Jeanne Rodrigues, de 26 anos, produtora de tevê. Pediu a ela que a acompanhasse ao hospital e que só avisasse o resto da família - o pai, a mãe, e mais doze irmãos - após o fim da operação. Augusta chegou ao hospital em menos de 15 minutos. "Como já esteve internada quatro vezes e freqüentemente passa por consultas, resolveu morar perto", disse o cirurgião.

Essa não é sua primeira cirurgia. Augusta nasceu sem o ventrículo direito. Aos 22 anos, foi operada e, com o tempo, começou a ter arritmias, até que os médicos a recomendaram um transplante. "Ela tinha tontura. Sua condição piorava a cada dia, mas como ainda não estava a ponto de ficar internada numa UTI, as chances de sucesso da operação são maiores", diz Silva. O risco de morte de um transplantado, em geral, é de 12%. No caso dela, é de 5%.

Augusta passou hoje o dia entubada, na UTI, consciente. "Antes de entrar na cirurgia perguntei a ela se não queria agradecer pessoalmente em público a chance de ter esse coração que abalou o Brasil", contou a sobrinha. "Ela disse que sim, mas que tinha muita vergonha. Mas com certeza foi o melhor presente que poderia ganhar no seu aniversário." Augusta deve ter alta em três semanas.

OK!!!!!! O Coração dela vai para uma Paraense de 39 anos...E DAí??????

Mas calma, não me entendam mal, acho muito bonito o fato dos pais da menina terem aceito doar os órgãos e que isso será um ótimo incentivo para a doação de órgãos no Brasil (Fato que não deixa de ser triste, é preciso uma tragédia par tranformar uma vítima em heroína que será um mártir para a doação de órgãos). Agora, quantas famílias doam os órgãos de seus parentes no Brasil, ou ainda pessoa que doa sangue e medula (você não precisa estar morto para isso). Acho um absurdo a cobertura da mídia para as pessoas que irão receber os órgãos da menina, deixem a família e a história dela passar...Eles precisam do luto, eles precisam do tempo.

Nada contra as pessoas que irão ser salvas pelos órgãos da menina, mas deixem isso para lá...por favor, prefiro que falem de alguma atriz que saiu pelada ou algum político corrupto (são coisas comuns mesmo).



Sensacionalismo é f***. Pior que eu sou fã da CBN, gosto muito de ouvir o estação mas ela me decepcionou muito quando fez uma reportagem sobre as pessoas que iriam receber os órgãos...Chega!!!!

[modo rabugento off]

Biblioteca da Corja - Livro 5

aeeeeee!!
Pode parecer incrível, mas HOJE vai rolar atualização n'A Sede da Corja, um blog mais esquecido que camisinha na minha carteira!!
Uhuuuu!!!
Podem contar que tem gente que ainda não desistiu dessa coisa monótona aqui!
Poderia dizer que foi porque um dos corjanos fez níver nesse intervalo, mas isso foi ontem e não sou um mentiroso safado cara de pau desse jeito... sou?
Mas, tudo bem, tudo bom, vamos ao que interessa! Passemos ao livro da vez!
Terminei de ler hoje, mais cedo, um livro escrito por Nick Hornby, chamado A Long Way Down.
Esse foi o livro que escolhi ler para começar a conhecer o trabalho desse autor, de quem já tinha ouvido algumas boas críticas e referências. Já tinha visto os filmes 'Alta Fidelidade' e 'Um Grande Garoto', ambos adaptados de obras homônimas de Hornby; depois, lembro de ler na veja uma resenha sobre o seu livro mais novo, 'Slam', e de como ele foi chamado de rei da referências ao mundo pop. Isso foi o que me chamou a atenção para ele, mas ainda assim não foi o suficiente para me motivar a comprar um de seus livros (seria suficiente se estivesse num período de 'entresafra', ou seja, com poucas coisas para ler, mas infelizmente não era o caso). A gota d'água foi quando vi uma pequena crítica na Superinteressante recomendando uma hq brasileira (chama-se Menina Infinito, se não me engano), dizendo simplesmente que trazia referências ao mundo pop quase tão boas como as de Hornby. Aí ele conseguiu ficar na minha cabeça e, alguns dias depois, quando estava brincando no site da amazon.com de "quais seriam todos os livros que eu compraria hipoteticamente naquele momento" (qual é? tem gente que brinca de roleta russa, daqueles jogos de bebida, eu tenho esse... sai caro, mas...), claro que tive de colocar um do Hornby na lista. Bom, resumindo, carência num fim de semana sozinho e cartão de crédito com limite mais alto que juízo na cabeça, semana passada, logo depois de terminar Os Portões de Roma, comecei a ler meu primeiro livro escrito por Nick Hornby!
E, garanto a vocês, não me arrependi. Lá estavam todas as referências que me foram prometidas, algumas que eu peguei - "não éramos, tipo, Daleks, que não podiam descer escadas" - e outras que nem saquei nada. Mas não era um livro apenas de referências. A história foi boa como um todo e bem escrita. Mas, para falar disso, acho melhor ser mais específico.
A Long Way Down é um livro sobre quatro pessoas, cada uma delas com seus problemas que, na noite de 31 de dezembro, resolvem se matar pulando de cima de um edifício. Poxa, como se matar é meio que uma coisa importante, escolheram um dos edifícios mais famosos de Londres (pelo menos no que diz respeito a pessoas se jogarem de cima famoso) e uma das noites em que mais gente sente suas tristezas e angústias exacerbadas para andarem esse último degrau. Resultado? Os quatro infelizes acabam se encontrando no topo do edifício e, seja pela situação comum, seja pela ausência de outras alternativas, essas quatro personalidades distintas se agarram e buscam decidir se vale a pena continuar a viver ou não. Aliás, daí vem o nome do livro: eles querem decidir se pegam o 'caminho mais longo para baixo', i.e., pela escada, e não o mais curto, que é pulando.
Cada um deles tem seus problemas, que podem parecer maiores ou menores para o leitor, mas ainda assim estão todos presos dentro de seu desespero. Martin era um apresentador de tevê, de um programa matutino, que, uma noite, dormiu com um menor de idade. O escândalo subseqüente, devidamente coberto pelos nem um pouco sensacionalistas tablóides ingleses jogou no lixo seu emprego, sua família e ainda rendeu algum tempo de cadeia. Maureen é uma simples dona de casa e mãe solteira que tem um filho que é um 'vegetal', que apenas respira, que precisa ser cuidado, alimentado, limpado, sem em momento algum dar um sinal sequer de que tem ou teve algum dia consciência da vida. O dia a dia de Maureen se resume a cuidar do filho e... mais nada. Jess, por sua vez, é a típica jovem rebelde. Não tem nada na cabeça, se relaciona mal com todos, principalmente seus pais e, num impulso, está no telhado com os outros. Por fim, JJ é um americano vivendo fora de seus país, ex-músico, viu a banda que era a coisa mais importante na vida se romper, sua namorada o largar e que não tem opçõs de vida, pois não estudou nem se preparou para mais nada que sua banda.
O livro é todo narrado por essas quatro personagens, que vão alternadamente, contando o que acontece, cada qual com sua ótica singular. Muitíssimo bacana a formas diferentes como cada um narra a coisa.
Mas o ponto forte da história mesmo é a impressão de realidade que ela passou. Não ´um livro de fantasia, ou uma aventura onde tudo se encaixa e dá certo no final. Não acontece aquela coisa de comédia hollywoodiana em que um tem a resposta para os problemas do outro ou que com a sua união eles são capazes de superar, ainda que de forma inverossímil, todas as adversidades.
Isso não acontece em A Long Way Down. Tampouco é o livro um thriller, daqueles suspenses cheios de reviravoltas e surpresas no final. Nada disso. Conta da forma mais verídica e pouco romantizada, mas sempre com um tracinho de ironia e amargura, a vida dos quatro would-be jumpers. Mas vcs têm que ler para ver como é. Garanto que é um refresco ler algo assim junto com minhas ficções científicas e romances históricos.
Ah, já to ficando sem ter o que falar. Não sou nenhum crítico para ficar discorrendo sobre estilo e tal, logo minhas resenhasihas são assim superficiais mesmo. Dessa vez ficou mais curta porque eu não encontrei nenhum ponto específico que quisesse comentar ou que tenha desgostado.
Recomendo o livro, mesmo. Aliás, teve algum que eu aind anão recomendei? Só advirto, o livro, mesmo com todasua ironia e observações sarcásticas tem toda uma motivação deprê, então pode dar aquele climão down quando estiverem lendo. Acaba dando motivo a se repensar nossas vidas e escolhas...
Bom mas eu sei com me animar! Já estou vendo qual dos outros livros do Hornby será meu próximo. Enquanto isso já peguei o próximo livro e vou terminar de ler meus scans da HQ Starman, de James Robinson. Essa eu ainda comentarei futuramente.
Abração
E que venha mais uma semana sem atualizations!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Biblioteca da Corja - Livro 4

Buenas Noches, cambada!


Passada já uma semana mais ou menos desde minha última participação por aqui e já tenho material para mais uma Biblioteca da Corja, a seção mais bacanuda desse brógui (também, ainda é a única coisa regular que temos por aqui!). Pelo menos, dessa vez, não demorou tanto quanto a última. E além disso, para a surpresa geral, alguns dos meus caros colegas da corja também se manifestaram nesse ínterim, não deixando que as teias de aranha virtuais voltassem a se formar.


Dessa vez, prometo tentar fazer duas coisas que me foram pedidas pelo IMENSO (a quem quero enganar) número de leitores daqui: ser mais curto (hoje até vai dar, porque não acho que tenha muito a falar desse livro e porque quero acabar antes de começar o CQC) e não contar o final do livro dessa vez (hmmm... não sei se está dentro das minhas capacidades).


O livro da vez se chama Os Portões de Roma, escrito por Conn Iggulden(!?!?) e é o primeiro livro de uma série chamada 'O Imperador'. A idéia é que a série conte a história de Júlio César desde sua infância até a morte. E tenho que dizer que é bem esse detalhe que me incomoda.

Os Portões de Roma, é, como já se pode imaginar um romance histórico, ou seja, se passa em algum ponto do passado e, em regra, tem por inspiração e grande atrativo contar fatos históricos na perspectiva de ums de seus participantes ou espectadores. Sou um gradessíssimo fã do gênero, e acho que o legal da coisa é a 'aula' de história que se acaba aprendendo com a leitura! São alguns detalhes que não se vê nas aulas de história na época do colégio, pois lá se vê apenas "Fulano foi rei de Fulanolândia", ou seja, uma parte mais geral; ao passo que nesses livros se encontram quem foram Sicrano e Beltrano, inimigos do Fulano, as batalhas travadas, como Fulano virou rei, etc.


Claro que se deve tomar cuidado com essa 'aula' de história, pois nem sempre ela é exata. Aqui entra a parte "romance" de romance histórico. Às vezes, por questões de narrativa, para contar melhor a história, o autor pode tomar certas 'liberdades' com os fatos, moldando-os às suas necessidades. De qualquer forma, no meu caso pelo menos, a leitura é suficiente para que eu me interesse pelo assunto e procure saber algo mais sobre ele, seja buscar um livro mais específico e mais compromissado com a realidade ou uma mera pesquisa na Wikipedia para saber se aquela batalha aconteceu mesmo.


São essas 'liberdades' narrativas que acabam me deixando com o pé um pouco atrás nesse livro. É que o personagem principal é Júlio César, então as mudanças que o autor faz são bem fundamentais na história de Roma. Ficaria mais contente se o livro fosse sobre um Caio, Tício ou Mévio qualquer de Roma, centurião de alguma legião romana e foi comandado ou amigo de Julio, como Bernard Cornwell costuma fazer (não sabem quem é o Cornwell? aguardem...). Da forma que ficou, achei meio contraditório: por um lado, existem várias passagens que falam do 'fogo' por trás dos olhos de Julio, de como já se pode imaginar que fará grandes coisas, etc.; de outro, ele fica quase uma marionete ou um João Bobo na segunda metade do livro, sem mostrar aquela iniciativa, força ou liderança que eu já esperava dele, pelo menos. Chegam a parecer dois personagens distintosm aquele que era super e o outro que fica deslumbrado com tudo.


Outros pontos que não me apeteceram (vomitando vocabulário, hein? blééééérg) foram algumas mudanças que achei muito forçadas se comparadas com a realidade. Primeiro, a morte do pai de Julio, que no livro, morre em batalha, mas segundo algumas pesquisas (tá, só a wikiédia...) as biografias de César feitas na época contam que ele morreu do nada, de repente, num dia de manhã enquanto calçava as sandálias. Tá, não é uma morte muito heróica ou marcante, mas é muito diferente da outra... A segunda coisa é que Brutus tenha sido um 'irmão' de criação de César, sem família e criado pelos pais de Julio. Posso estar muito enganado, mas segundo minhas fontes (wiki, de novo), isso não procede. Também entendo isso, para tornar a traição da morte de Julio César mais marcante ainda (até tu, Brutus?... lembram?). Uma terceira coisa que eu não havia gostado foi a redução da primeira guerra civil de Roma, entre Mário, tio de César, e Cornélio Sila, que se passou em alguns anos, para apenas alguns dias. Mas isso Iggulden se explicou na Nota história que ele faz no fim, então o perdôo... (tá, sei... quem sou eu para perdoar o cara... ponho-me no meu lugar insignificante qu eu mereço).


Uma coisa que eu achei bem legal foi a retratação do dia a dia e do pensamento da época. Essa é uma das coisas mais legais num romance histórico; ter-se um vislumbre de como devia ser a vida num momento distinto da história da humanidade, como era viver naquele período,os ideais e pensamentos do povo, etc. E olha que deve ser algo difícil de o autor traduzir em livro, pois, às vezes, as formas de se encarar a vida, o universo e tudo o mais das outras culturas eram (ou são) diferentes demais do que encaramos hoje, de forma que se acabam incorporando valores e pensamentos modernos os personagens da história. Na verdade, é praticamente impossível de filtrar totalmente os valores modernos, e, em alguma medida sempre acabam saindo alguns matizes mais atuais que estranhariam o homem passado. Para se ver isso, basta se comparar um livro moderno que se passa, p. ex. no século 19 e um livro escrito no século 19 (ainda vou comentar O Vermelho e O Negro e a forma de como a nobreza era encarada até por ela mesma e pelo povo, como melhores que os demais, a ausência de igualdade...).


N'Os Portões de Roma, achei que se pode ter uma idéia bem legal do cotidiano romano, a valorização da força e da conquista, a idéia de de nobreza dos cidadãos romanos de verdade em comparação com os demais, a valorização da limpeza e higiene, o sexo não sendo tabu e mais um prazer a ser desfrutado...


No fim, no fim, eu gostei do livro. Não é nada perfeito (mas qual livro é), nem empolga tanto quanto os do Cornwell (acho que teve menos batalhas, e as que teve não foram muito breathtaking), mas fiquei com vontade de ler os próximos. Quero ver como esse bad boy do César vai se virar ('Wanna see how this bad boy turns up!', referência a um episódio de Friends: quem disse e em qual?).


Bom, acabou ficando longo. Azar de quem tiver preguiça.


Até o próximo!!


Ciao!

sábado, 11 de outubro de 2008

Apenas um momento para reflexão......




A vida?


"A vida são deveres, que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, ja são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira.
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, já perdemos o amor da nossa vida...
Quando se vê, já , passaram-se 50 anos!
Agora, ? tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e
inútil das horas...
Seguraria o meu amor, que está na minha frente, e diria EU TE AMO...
Dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido falta de
tempo.
Não deixe te ter alguém ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que ter, ser desse tempo que infelizmente... não volta
mais."


(Mário Quintana)



Quem se mata de trabahar merece mermo morrer. (autor desconhecido)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Problemas com Bebidas (ou com Ouvido? ou de Relacionamento? Ou do Ser Humano mesmo?)

Acabei de receber isso por e-mail, de um dos membros ativos (não passivo) da corja. Não entendo porque ele mesmo não posta isso. Muito boas essas tirinhas.

Essa especialmente porque remete a um problema muito sério da sociedade (comunidade, humanidade), a bebida (ou seria melhor o egocentrismo e narcisismo inato do ser humano que o impossobilita de se relacionar com a comunidade). - sem esses surtos filosóficos não poderia assinar o post.Queria poder citar o autor mas não sei quem é. Vocês que são mais cultos que eu referendem o criador dessa tirinha no coment.

Adiós chicos,

Yo

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Biblioteca da Corja - Livro 3

Caraca!! Parece que só eu estou me dando ao trabalho de fazer alguma coisa por aqui!
Enquanto eu estava ocupado lendo mais um livro pars esta nova seção da Biblioteca da Corja, ninguém mais atualizou esse lugar.

Bom, antes tarde do que nunca! Gosto de imaginar que todos as duas ou três pessoas que visitavam isso aqui estavam aguardando ansiosamente mais uma indicação boa(?) de leitura, acessando o blog todos os dias e pensando: "quando aquele tratante vai escrever mais alguma coisa? ele não se gabou de ler rápido? cadê? cadê? CADÊ????". Bom, se esse era o seu caso, meu leitor neurótico, cá estou eu para satisfazer seu TOC! Agora, se vc não é assim ainda, sugiro que pare sua leitura aqui e nunca mais volte a esse blog, pois, caso contrário, a sua saúde e tranquilidade mental estarão em risco. O ministério da saúde adverte: ler à sede da corja causa alta dependência!
...

Dois, apenas DOIS míseros posts e eu já estou me achando "O" gerador de opiniões. Acho que aquele com o problema na cabeça sou eu. Mas, paciência, meu tempo virá!

Anyway, passando àquilo que realmente importa...

O terceiro livro que tem a honra de figurar em nosso ilustres brógui é Trabalhadores do Mar, do seu, do meu, do nosso grande Victor Hugo (gente, mas hoje eu to demais!). A primeira obra mais, hum, clássica, que passa por aqui.
Sobre o autor, bem, Victor Hugo é um dos maiores autores franceses, conhecidíssimo por ter escrito Os Miseráveis e O Corcunda de Notre-Dame. Posso dizer que ele foi um dos fundadores do romantismo francês, teve sua obra reconhecida em vida e hoje está enterrado no Pantheon, em Paris, junto aos hérois franceses. Mais? Ah, meu, ele é famoso! Com certeza vocês já ouviram falar nele; senão, bem, vejam aqui.

Bom, e pelo que pude ver das obras suas que li, elas são carregadas de drama. Já imagino alguém dizendo "Drama? Que droga! Isso é coisa de menininhas". Ora, não é bem assim. Há muito mais em livros que suspense e ação desenfreada. Os Trabalhadores do Mar não é um livro massa véio, como dizem num outro site (é, aprendi linkar assim hoje), cheio de correria, tiros, piadas manjadas e reviravoltas, e, talvez até por isso, vale muito a leitura. Trata-se de um livro muitíssimo bem escrito que, tal qual Os Miseráveis (a outra obra de VH que eu li), prende o leitor em sua trama simplesmente pela forma como é contada.

O livro começa com um fato simples, três pessoas caminhando na neve, na pequena ilha de Guernesey, localizada no Canal da Mancha. Victor Hugo, em razão de suas opções políticas, teve de se exilar nessa ilha inglesa a fim de evitar perseguição na França, e por isso conhece-a e à região muito bem, descrevendo, no decorrer do livro várias de suas características e geografia, inclusive os pedaços de rocha espalhados por aquele mar. Mas já voltaremos às pedras.

Como ia dizendo, o livro se inicia com um fato simples, a partir do qual o autor começa a discorrer sobre as personagens principais, descrevendo-as, contando de seu passado, suas indoles e sentimentos, jogando informações e, devargazinho, prosseguindo com a história. O personagem principal do livro é Gilliat, morador da Guernesey que conhece de vários ofícios (pescador, marinheiro, ferreiro, carpinteiro) e, em razão da superstição do povo da ilha, é considerado por todos como um feiticeiro e, em razão disso, é estigmatizado e proscrito pelo povo (hilário, aliás, o trecho em que se mostras porque Gilliat é feiticeiro). Mess Lethierry, por sua vez, é um velho marinheiro que já rodou o mundo e voltou para Guernesey, onde vive sua velhice e tem duas adorações: Deruchette, sua sobrinha que cria como filha e seu navio à vapor, o Durande, primeiro vapor a fazer o transporte entre Guernesey e a França. O navio é capitaneado, desde que Messe Lethierry ficou muito velho para isso, por Sr. Clubin, homem de conhecida honestidade.

Vale lembrar que os personagens, embora bem humanos, são idealizados. Ora, Victor Hugo é um autor do romantismo. O que vale são heróis virtuosos, moças idealizadas e vilões maus. Não existem as dubiedades e cinismos do realismo aqui. Gilliat é o 'bom selvagem'.

Esses são apenas os jogadores principais da história. Ah, são apenas o personagens principais humanos, pois ainda não pode-se esquecer dos importantíssimos papéis desempenhados pelo Mar, pelo Clima e pelos escolhos (rochedos à flor d'água, segundo o aurélio... de nada) Douvres. É que, ao contrário do que ocorre em Os Miseráveis, quando faz críticas à política e às desigualdades sociais da França, VH em Os Trabalhadores do Mar escreve mais sobre a natureza e sobre os elementos naturais, que, durante grande parte do livro 'contracenam' com Gilliat. Inclusive em suas 'filosofadas' (é, ele faz isso em alguns trechinhos dos livros), naquele é mais sobre questões como justiça, revolução, igualdade, etc., questões humanas, ao passo em que no livro ora lido e falado sobre (hm?), VH divaga mais sobre bem, mal, Deus, natureza, etc. Leitura de conteúdo, não?

Num resumão da história, Gilliat, como qualquer um com meio cérebro já adivinhou, apaixona-se por Deruchette. Todavia, ante a sua ausência de habilidades sociais (o cara era um nerd do século 19, só que como não tinha video games ou computadores, passava seus dias em contemplação) a paixão era apenas paltônica, com ele se esgueirando atrás de moitas para vê-la escondido. Passados alguns anos, o Durande, navio de Mess Lethierry, num dia de forte nevoeiro, bate nos escolhos Douvres (agora vcs sabem que são escolhos), enormes pedras no meio do mar, perigosas de se aproximar em dias calmos. No choque do recebimento da notícia, Deruchette e Mess Lethierry prometem que ela se casaria com aquele que conseguisse resgatar o motor do navio, coração e alma do naviao, e que está ainda intacto, dos escolhos. Tá, é sem grande surpresa para nós que Gilliat se propõe a realizar essa tarefa.

Aí então o rumo da história passa ser a façanha de Gilliat. A tarefa em si é descomunal (segundo relata o autor) A navegação é difícil, o trabalho de cuidado do motor, dos restos do navio para não se partirem e afundarem antes da hora e de resgate do motor, tudo isso a ser realizado sozinho por Gilliat, é praticamente impossível. Ninguém na ilha se prontificou a fazê-lo, nem tem idéia que Gilliat o tenta, porque é tido como 'infazível' (como diria Vicente Mateus). Não apenas o trabalho é dificílimo, Gilliat não levou as ferramentas apropriadas, teve de fabricá-las com os restos do navio; seus mantimentos perderam-se no primeiro dia, teve de se alimentar dos frutos do mar que encontrava. Construiu um guindaste, operou e trabalhou sozinho, passou, fome, frio e sede, enfretou marés e tempestade, sem contar mais algumas desgraças e imprevistos que a natureza jogava contra ele. Ao final, com perseverança e trabalho (muito louvados no texto) conseguiu o feito e retornou a Guernesey.

Agora, para o drama: durante os meses que Gilliat trabalhava e sofria, Deruchette apaixonou-se por outro. Gilliat, para preservar a felicidade de Deruchette, possibilita que Deruchete fique com seu amado e, ao final, afoga no mar. Triste, não? Pelo menos no livro é poético paca.

Mas, cara, vc contou TUDO! Sim, mas e daí? Nesse livro, como na grande maioria dos clássicos, o que importa é o DURANTE do livro, não o final quem morre ou não morre. Esse resumão não importa! Vale muito a leitura. De verdade.

É isso. Tomara que tenha convencido mais gente a ler uma obra clássica, em especial Os Trabalhadores do Mar, do que tenha feito gente pensar que olhar a grama crescer é um programa muito mais interessante que perder seu tempo com um livro desse. Ás vezes pode parecer que não, mas a intenção é sempre essa, ainda que possa não ter sido muito bem executada.

Bom, se vc leu até aqui, sinto dizer mas logo vc começará a sentir uma coceirinha no corpo, incomoda, que só vai passar ao ler mais algum post d'A Sede da Corja. Infelizmente, quanto mais se lê, piores ficam os sintomas. Foram iniciadas pesquisas atrás de uma cura para esse vício, mas, por azar, todos os pesquisadores também o pegaram, e ficou por isso mesmo... Acho que já se tornou infeccioso pelo ar.

Garanto que ler ajuda. Ler qualquer coisa ajuda a suportar esse vício até o próximo post, que, como pode ser visto, ninguém pode prever qundo virá. Leia e vc conseguirá passar por isso. Falo por experiência própria.

De qualquer forma, preciso lembrar: eu avisei!

See ya!