segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Biblioteca da Corja - Livro 4

Buenas Noches, cambada!


Passada já uma semana mais ou menos desde minha última participação por aqui e já tenho material para mais uma Biblioteca da Corja, a seção mais bacanuda desse brógui (também, ainda é a única coisa regular que temos por aqui!). Pelo menos, dessa vez, não demorou tanto quanto a última. E além disso, para a surpresa geral, alguns dos meus caros colegas da corja também se manifestaram nesse ínterim, não deixando que as teias de aranha virtuais voltassem a se formar.


Dessa vez, prometo tentar fazer duas coisas que me foram pedidas pelo IMENSO (a quem quero enganar) número de leitores daqui: ser mais curto (hoje até vai dar, porque não acho que tenha muito a falar desse livro e porque quero acabar antes de começar o CQC) e não contar o final do livro dessa vez (hmmm... não sei se está dentro das minhas capacidades).


O livro da vez se chama Os Portões de Roma, escrito por Conn Iggulden(!?!?) e é o primeiro livro de uma série chamada 'O Imperador'. A idéia é que a série conte a história de Júlio César desde sua infância até a morte. E tenho que dizer que é bem esse detalhe que me incomoda.

Os Portões de Roma, é, como já se pode imaginar um romance histórico, ou seja, se passa em algum ponto do passado e, em regra, tem por inspiração e grande atrativo contar fatos históricos na perspectiva de ums de seus participantes ou espectadores. Sou um gradessíssimo fã do gênero, e acho que o legal da coisa é a 'aula' de história que se acaba aprendendo com a leitura! São alguns detalhes que não se vê nas aulas de história na época do colégio, pois lá se vê apenas "Fulano foi rei de Fulanolândia", ou seja, uma parte mais geral; ao passo que nesses livros se encontram quem foram Sicrano e Beltrano, inimigos do Fulano, as batalhas travadas, como Fulano virou rei, etc.


Claro que se deve tomar cuidado com essa 'aula' de história, pois nem sempre ela é exata. Aqui entra a parte "romance" de romance histórico. Às vezes, por questões de narrativa, para contar melhor a história, o autor pode tomar certas 'liberdades' com os fatos, moldando-os às suas necessidades. De qualquer forma, no meu caso pelo menos, a leitura é suficiente para que eu me interesse pelo assunto e procure saber algo mais sobre ele, seja buscar um livro mais específico e mais compromissado com a realidade ou uma mera pesquisa na Wikipedia para saber se aquela batalha aconteceu mesmo.


São essas 'liberdades' narrativas que acabam me deixando com o pé um pouco atrás nesse livro. É que o personagem principal é Júlio César, então as mudanças que o autor faz são bem fundamentais na história de Roma. Ficaria mais contente se o livro fosse sobre um Caio, Tício ou Mévio qualquer de Roma, centurião de alguma legião romana e foi comandado ou amigo de Julio, como Bernard Cornwell costuma fazer (não sabem quem é o Cornwell? aguardem...). Da forma que ficou, achei meio contraditório: por um lado, existem várias passagens que falam do 'fogo' por trás dos olhos de Julio, de como já se pode imaginar que fará grandes coisas, etc.; de outro, ele fica quase uma marionete ou um João Bobo na segunda metade do livro, sem mostrar aquela iniciativa, força ou liderança que eu já esperava dele, pelo menos. Chegam a parecer dois personagens distintosm aquele que era super e o outro que fica deslumbrado com tudo.


Outros pontos que não me apeteceram (vomitando vocabulário, hein? blééééérg) foram algumas mudanças que achei muito forçadas se comparadas com a realidade. Primeiro, a morte do pai de Julio, que no livro, morre em batalha, mas segundo algumas pesquisas (tá, só a wikiédia...) as biografias de César feitas na época contam que ele morreu do nada, de repente, num dia de manhã enquanto calçava as sandálias. Tá, não é uma morte muito heróica ou marcante, mas é muito diferente da outra... A segunda coisa é que Brutus tenha sido um 'irmão' de criação de César, sem família e criado pelos pais de Julio. Posso estar muito enganado, mas segundo minhas fontes (wiki, de novo), isso não procede. Também entendo isso, para tornar a traição da morte de Julio César mais marcante ainda (até tu, Brutus?... lembram?). Uma terceira coisa que eu não havia gostado foi a redução da primeira guerra civil de Roma, entre Mário, tio de César, e Cornélio Sila, que se passou em alguns anos, para apenas alguns dias. Mas isso Iggulden se explicou na Nota história que ele faz no fim, então o perdôo... (tá, sei... quem sou eu para perdoar o cara... ponho-me no meu lugar insignificante qu eu mereço).


Uma coisa que eu achei bem legal foi a retratação do dia a dia e do pensamento da época. Essa é uma das coisas mais legais num romance histórico; ter-se um vislumbre de como devia ser a vida num momento distinto da história da humanidade, como era viver naquele período,os ideais e pensamentos do povo, etc. E olha que deve ser algo difícil de o autor traduzir em livro, pois, às vezes, as formas de se encarar a vida, o universo e tudo o mais das outras culturas eram (ou são) diferentes demais do que encaramos hoje, de forma que se acabam incorporando valores e pensamentos modernos os personagens da história. Na verdade, é praticamente impossível de filtrar totalmente os valores modernos, e, em alguma medida sempre acabam saindo alguns matizes mais atuais que estranhariam o homem passado. Para se ver isso, basta se comparar um livro moderno que se passa, p. ex. no século 19 e um livro escrito no século 19 (ainda vou comentar O Vermelho e O Negro e a forma de como a nobreza era encarada até por ela mesma e pelo povo, como melhores que os demais, a ausência de igualdade...).


N'Os Portões de Roma, achei que se pode ter uma idéia bem legal do cotidiano romano, a valorização da força e da conquista, a idéia de de nobreza dos cidadãos romanos de verdade em comparação com os demais, a valorização da limpeza e higiene, o sexo não sendo tabu e mais um prazer a ser desfrutado...


No fim, no fim, eu gostei do livro. Não é nada perfeito (mas qual livro é), nem empolga tanto quanto os do Cornwell (acho que teve menos batalhas, e as que teve não foram muito breathtaking), mas fiquei com vontade de ler os próximos. Quero ver como esse bad boy do César vai se virar ('Wanna see how this bad boy turns up!', referência a um episódio de Friends: quem disse e em qual?).


Bom, acabou ficando longo. Azar de quem tiver preguiça.


Até o próximo!!


Ciao!

4 comentários:

JR Vissoci disse...

Caraca, referência a Friends???

Ainda vou acertar essa!

Realmente, concordando com o Murilo de novo, agora fiquei com vontade de ler e ver How this Bad Boy turns up.

Muito bom Guto!

Abraço

Anônimo disse...

Meu, mudei uma configuração aqui e não precisa mais id do google para postar comentário!
é só marcar embaixo que comentou, ao invés de 'Google/Blogger', com 'Nome/URL'. Assim dá para se colocar qualquer nome, inclusive o seu próprio. Não precisa mais usar o da Bruna! Deixa ela usar o nome dela para o dia que ele realmente comentar alguma coisa!

Concorda com o Murilo? Não entendi?
o que ele falou?

ow, o que acharam do 'about me' do blog que eu fiz?

Anônimo disse...

Bom, bom, muito bom. Gostei.

Me interessei pelo livro também, acho muito legal quando o cara consegue passar realmente como era a época em que se passa o livro.

Se eu conseguir ler pelo menos o que você me passa, eu começo ler esse livro ai.

Abraço

P.S.: "... ao invés de 'Google/Blogger', com 'Nome/URL'"

Que burro, da zero pra ele.

hahahahhaahhaha

Anônimo disse...

Eae João, você que é o amigo da Dona Rosa que estuda junto com ela na UEL? Eu sou o filho dela, ela falou de voce pra mim ^^
(se você não for esse João, favor desconsiderar isso)
Eu não li todo o post sobre este livro, mas sou muito curioso para lê-lo, gosto muito de romances históricos. Esse livro parece lembrar um pouco daqueles filmes de Roma como Gladiador, acho que vou procurar lê-lo em breve =p. Como você também gosta desse gênero, procure por Bernard Cornwell (acho que já ouviu falar né =P). Eu já li as crônicas saxônicas dele, que fala sobre os vikings e saxões, e sobre Alfredo de Wessex, é muuuuuito bom! Tá, acabei de ler que você já conhece sobre o Cornwell...bom, mas mesmo assim, se voce não leu as crônicas saxônicas, vai ai uma sugestão ^^
E hamm, tenho quase certeza que quem falou aquela frase foi o Chandler! Em que episódio foi, ai já é demais...iaushdaisudhui